Estou apaixonada por você? Ou estou apaixonada pelo sentimento?” canta Halsey com o Justin (sim, o Bieber) na música “The Feeling”. Por um tempo essa música não saiu da minha cabeça, e esse questionamento tão simples me fez pensar muito sobre paixão e amor. Parece tão óbvio, e ainda assim é tão… traiçoeiro.

Começa com você conhecendo a pessoa. Você se interessa por ela, geralmente porque ela é gata (pros seus padrões e tal), inicia ali uma paquerinha, seguida do papinho, que pode durar de uma noite a um número vergonhoso demais pra admitir -porque sim, todas nós achamos que temos um limite quando se trata de papinho pra conquistar alguém, mas todas nós já passamos desse limite pelo menos alguma vez.

Apaixonada pelo sentimento – Entenda o meu caso

De repente, você percebe que está ansiosa pra tal pessoa te responder no WhatsApp. E é impossível não dar um mini sorriso de canto de boca quando chega a notificação. Assim como é impossível esconder a frustração quando ela visualiza e fatalmente não responde. Ou demora horas, mesmo estando online ali, o tempo todo. E do nada, você tá indo pro trabalho, e começa a pensar naquele rosto.

E em como aquele rosto te fez sentir. E nas palavras que ele falou. E você repassa todas essas palavras algumas vezes, pra ter certeza de que foi aquilo mesmo. E você discute a conversa com suas amigas. Será que elas entenderam igual a você?

Será que elas têm um outro ponto de vista que vai te deixar mais aliviada? Ou será que elas vão te falar alguma coisa que vai ser mais frustrante do que um balde de água gelada? E cada vez mais você percebe que está ansiosa pra ter uma sinal da pessoa. E fica feliz com algo bobo. Ou muito chateada com algo mais bobo ainda.

E assim como uma pessoa traída, você é a última a perceber que está, sim, apaixonada.
Você até pensa umas coisas bem patéticas sobre o futuro dos dois juntos.

É, definitivamente apaixonada.

Mas quase tão rápido quanto a escalada do status de “paquerinha” pra “paixonite“, vem a realidade.

Você fica mais animada com a notificação da mensagem do que a mensagem em si.

Você dá um sorrisinho de canto de lábio lembrando do rosto dele, mas não ao pensar nas conversas que vocês têm. Às vezes você tem até que afastar um pequeno constrangimento ao lembrar delas. “Putz, ele falou isso mesmo? Af mano…”.

Você tem certeza que ele também está na mesma que você. Mas irremediavelmente acaba tendo que justificar pra si mesma porque ele fez o que fez, ou falou o que falou, ou não fez o que poderia ter feito, e esquece que se ele estivesse realmente na sua, ele daria um jeito (todo mundo que assistiu “Ele não está tão a fim de você” sabe do que eu tô falando).

Você acha ele lindo. Ou realmente muito daora na cama. Ou muito divertido. Ou muito popular entre seus amigos. Mas só uma dessas coisas e… não consegue pensar em praticamente nada além dessa única coisa no que se apegar quando você tenta explicar porque raios você tá tão caidinha pela pessoa.

E aí você percebe que o silêncio entre vocês dois não é natural. É estranho e praticamente coloca um neon no fato de que talvez vocês só tenham química mesmo. E que tem alguma coisa faltando. Ou mais do que algumas.

E que você gosta do jeito que ele faz você se sentir, mas percebe que não tem necessariamente a ver com ele.

Você percebe que todas as coisas que te dão um friozinho na barriga nessa relação (ou nessa paquera, porque isso pode rolar inclusive quando a gente nem chega a pegar a pessoa…) muito provavelmente poderiam ser feitas por outra pessoa.

Num belo dia, cê percebe que se apaixonou por alguém que só existe na sua cabeça. E na sua imaginação todos os espaços em branco são preenchidos com coisas que fazem sentido pra você (e só pra você) e as coisas que não cabem perfeitamente na sua imagem de cara ideal, magicamente somem.

Porque você não está apaixonada por ele. Você está apaixonada por estar apaixonada.
Pelo sentimento.

Pelo jeito que seu corpo reage quimicamente a algumas coisas que não estão intrínsecas àquela pessoas específica. Ou até é com aquela pessoa específica, mas uma única coisa. Todo o resto você tem que esquecer, fingir que não existe, dar uma maquiada, inventar, pra continuar a curtir aquela pessoa do mesmo jeito.

Você não entende direito como aquilo aconteceu. Como você deixou chegar a esse ponto. Mas você se dá conta de que não há nada ali. O sentimento só existe numa dimensão platônica, no seu mundo ideal, em que seu interesse amoroso seria por quem você achava que ele fosse.

Mas fora daquilo, é uma fumaça coloridinha. Não tem no que se agarrar. Você criou uma pessoa baseada nas suas expectativas, tipo naqueles jogos em que a pessoa veste um macacão recheado de bexigas. E agora, uma a uma, elas vão estourando. E o que sobra é uma imagem triste e… vazia.

O mais chato é que apesar de tudo isso ter sido fundamentado em alguém de mentira, desapegar e aceitar que acabou não fica mais fácil. Cada uma das bexigas que você foi estourando dói um pouquinho. E você amava aquela sensação de estar apaixonada.

Do sorrisinho, do arrepio, da pessoa tocando você… E você acaba se culpando. Porque foi você quem criou aquelas expectativas. “Como deixei isso acontecer?” fica martelando na sua cabeça. Você nunca chega a uma resposta. Mas passa. Como tudo, isso também passa. E depois, quando você lembra, nem é mais com raiva de si mesma.

É mais como uma anedota pessoal. “Lembra quando fiquei caidinha por fulano? Que fase!”. No fim, é tudo história. E experiência. Pra da próxima, a gente não cair na armadilha que é justificar cada defeito ou traço da pessoa com algo que nos convém. Que é pra gente aprender a ver as pessoas como elas são. A paixão é tipo um filtro do Instagram. Deixa tudo muito mais interessante, mesmo que não seja. Mas não é de verdade. É efêmero. Não dá pra se agarrar nisso. Pelo menos, a gente acha que aprende. Espera. Torce. Pra não viver tudo isso de novo.