Hoje tem Oscar, e como ano passado, fiquei com vontade de fazer uma “cobertura” falando mais sobre as mulheres indicadas -a gente ama ver os vestidos, as maquiagens, mas a gente também ama as mulheres dentro desses vestidos, não é mesmo?

Ano passado rolou aquela campanha #AskHerMore -falei sobre aqui– e vou repetir esse ano, lá na página do Facebook do blog -> facebook.com/cheznoelleblog, então vamos acompanhar juntas?

Esse ano, 22% das indicadas ao Oscar são mulheres (segundo um estudo da Variety). Dentro dessa porcentagem, não há nenhuma negra.

E hoje tem Oscar! #OscarsChezNoelle

Fora das categorias de Melhor Atriz e Melhor Coadjuvante elas praticamente são inexistentes, e até hoje apenas quatro mulheres foram indicadas ao prêmio de Melhor Direção e zero (sim, zero) ao prêmio de Melhor Direção de Fotografia na história da premiação.

O cenário é triste, mas apesar de 22% ser um número bem pequeno (inclusive se pensarmos que a porcentagem mundial de mulheres é bem maior que isso), é uma das melhores participações das mulheres na história do Oscar!

Esse ano, além das atrizes indicadas, temos mulheres representando nas categorias de roteiro (original e adaptado), com Emma Donoghue por “O Quarto de Jack” (ela escreveu o livro e fez a adaptação para o cinema), Phyllis Nagy por “Carol”, Meg LeFauve por “Divertida Mente” e Andrea Berloff por “Straight Outta Compton”. Ano passado, nenhuma mulher estava em nenhuma das categorias de roteiro.

Também temos duas mulheres na categoria de Montagem (Film Editing), enquanto no ano passado tivemos só uma, com Margaret Sixel por “Mad Max” (um dos meu preferidos do ano passado) e Maryann Brandon por “Star Wars – The Force Awakens”. E na categoria de Efeitos Visuais temos Sara Bennett por “Ex Machina”, enquanto em 2015, nenhuma mulher aparecia entre os nomes.

E ao contrário de 2015, considerado como um dos anos mais sexistas e racistas da história do Oscar, que só se lembrou de filmes centrados em histórias de homens brancos e seus conflitos internos na categoria de Melhor Filme, esse ano tivemos uma pequena, mas significativa, melhora. Dos oito filmes indicados na categoria principal, três são histórias de mulheres. E o mais legal ainda: são histórias de mulheres muito diferentes entre si, com profundidade e interessância.

Temos “Brooklyn”, “Mad Max: Estrada da Fúria” e “O Quarto de Jack”, e eles não estão na lista só pra preencher algo como “a cota dos filmes sobre mulheres”, não. Os três foram muito bem criticados e cada um deles têm mais um monte de indicações: “Brooklyn”, cujas produtoras são mulheres – Finola Dwyer e Amanda Posey – também está indicado em Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Atriz, pra Saoirse Ronan, e conta a história de uma mulher imigrante; “Mad Max” tem DEZ indicações e foi considerado o filme mais feminista de 2015 -mas ainda acho que Charlize Theron devia estar na lista de indicadas como Melhor Atriz…- e “O Quarto de Jack” tem outras três indicações, entre elas roteiro pra Emma, e Atriz pra Brie Larson, e é um dos filmes mais sensíveis e fortes que já vi na vida, ao contar a história de uma mulher que luta pra sobreviver e pra fazer seu filho ter a melhor vida possível.

É um passo em direção ao que queremos ver na vida e no entretenimento, mas ainda há muito a ser feito – e a falta de negros (mulheres e homens) em qualquer uma das categorias é um absurdo sem tamanho. E antes de haver um #OscarsSoWhite (Oscars tão branco), há um problema #HollywoodSoWhite, porque Hollywod tem um problema sistêmico na inclusão de pessoas não-brancas e não-homens na frente e atrás das câmeras.

Espero que seja uma noite ótima! E ó, vamos ficar comentando juntas, hein? Espero vocês lá na página do blog -> facebook.com/cheznoelleblog à noite, com a hashtag #OscarsChezNoelle 😉

Bisous e até mais!